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memórias cineclubistas

Década de 2000

Confira também o livro: "A luta pelo cinema: Memórias do cineclubismo no Espírito Santo"​

Em 2003, após 13 anos de hiato, é realizada, no âmbito do Festival de Brasília, a edição da Jornada Nacional de Cineclubes que marca o momento de rearticulação do movimento cineclubista brasileiro. A Carta de Brasília, publicada como resultado do encontro, demonstra o entusiasmo dos(as) presentes em relação às ações de modernização da legislação do audiovisual e à reestruturação do setor propostas pelo Governo Federal. Defendendo a formação de público e a democratização do cinema e dos saberes relacionados à sua linguagem e fruição, o documento afirma: 

 

"Nesta nova fase que se abre larga e plena de possibilidades para o cineclubismo brasileiro, pretendemos exibir, discutir, estudar e produzir, tendo presente em nossos espíritos a necessidade e a possibilidade de contribuir, com modéstia, mas com combatividade, a identidade brasileira nas telas do cinema e da televisão, seja como for, em 35, 16, Super 8mm, vídeo, digital, via satélite ou o que vier."

Em meados de 2003, o surgimento do Cine Falcatrua, projeto de extensão desenvolvido por alunos da Universidade Federal do Espírito Santo, colocou em pauta questões como o acesso à cultura livre e a exibição digital de filmes. Em suas sessões semanais, eram exibidos filmes obtidos pelo compartilhamento via Internet, a partir de uma estrutura montada e gerida pelos próprios estudantes no campus da Universidade. Não tardou para que a atividade fosse judicializada por uma distribuidora cinematográfica, que moveu um processo alegando "concorrência desleal" por parte do cineclube. Esse fato mobilizou a sociedade civil e entidades culturais, inclusive cineclubistas que, como vimos, passavam por um período de rearticulação de suas atividades e saíram em defesa do Falcatrua. O processo judicial foi recebido num momento de ampliação das atividades do cineclube, que passaria a atuar em exibições performáticas e na realização de festivais de âmbito nacional como o Corta Curtas (2006) e Festival de Baixa Resolução (2005), o que contribuiu para a mudança no perfil do público e das atividades do grupo. Segundo o depoimento de um de seus integrantes, Gabriel Menotti: 

 

"A gente tentou manter as exibições. Tem inclusive um vídeo de documentação que começa com o Curtiss (Alexandre Curtiss, professor que orientava os alunos no proejto) dando uma explicação sobre o Falcatrua e falando sobre o que aconteceu – foi justamente um depoimento que ele deu logo na nossa sessão seguinte à notícia e ao processo. E a gente tentou meio que manter a coisa, mas foi isso: as pessoas que estavam diretamente envolvidas com o Cineclube nessa época meio que debandaram, ficou um núcleo duro, por assim dizer, pois houve essa depuração de participantes. O próprio público foi indo muito menos e eu diria que, embora a gente tentasse manter as sessões regulares, outra estratégia que a gente passou a adotar foi justamente ser mais claro nas nossas atividades e em relação ao que a gente gostaria de fazer com o cinema, pluralizando a programação."

Link vídeos de documentação e outros materiais do Falcatrua abaixo:

Videoclipe reunindo trechos das primeiras exibições realizadas pelo então chamado Videoclube Falcatrua, projeto de extensão organizado por alunos da Universidade Federal do Espírito Santo. Produzido pela TV Falcatrua.

Trechos de exibições realizadas pelo Cine Falcatrua entre 2004 e 2005. No início há uma fala do professor Alexandre Curtiss a respeito do processo movido por uma distribuidora contra o Cineclube.

Galeria de fotos: Cine Falcatrua: banda de cinema anarco-punk-banda-larga 2003-2008

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