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Memórias cineclubistas

Décadas de 1950 e 1960

Confira também o livro: "A luta pelo cinema: Memórias do cineclubismo no Espírito Santo"​

No Espírito Santo, o Cineclube Capixaba é a primeira organização do gênero que se tem notícia. O Capixaba é fundado em 1943, fruto "do entusiasmo de meia dúzia de aficionados por cinema, nesta capital", como reporta a matéria jornalística publicada na ocasião de seu lançamento. Entre seus fundadores, destacam-se o jornalista Henrique Dias (Hendicas), primeiro presidente do cineclube, José Américo Vidigal, Namir Souza, Ary da Silva e Mozart Gaspar. As atividades do cineclube eram divulgadas pela coluna de cinema do Jornal Folha do Povo (ligado ao PTB), bem como pelo programa Cine-Variedades, transmitido pela Rádio Espírito Santo e apresentado por Vidigal. Aos potenciais sócios(as) do cineclube era solicitado o preenchimento de um cupom de adesão e o pagamento de uma mensalidade para efetivarem sua participação. 

 

Com orientação naturalmente cinéfila, o Cineclube Capixaba, também conhecido como Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), exibia em sua programação obras dos irmãos Lumière e do mestre Charles Chaplin, além de ofertar cursos de cinema. A iniciativa abriu portas para novas empreitadas cineclubistas que ganhariam fôlego na década seguinte, entre elas o Cineclube Alvorada. Em 1965, Ramon Alvarado e Edgar Bastos criam o cineclube, que passa a ser intensamente frequentado por uma certa intelectualidade capixaba. A orientação cinéfila está aqui novamente presente nas exibições semanais de obras neorrealistas, cinema-novistas e da nouvelle vague francesa – o cinema europeu era privilegiado em detrimento do norte-americano, inclusive por questões econômicas.

 

 Às exibições, seguiam-se discussões que animavam o debate intelectual e a vida boêmia. Nesse contexto, alguns jovens frequentadores decidem aventurar-se na realização cinematográfica e iniciam a produção do primeiro filme de ficção realizado em Vitória, hoje desaparecido: Indecisão (1966) é fruto do encontro entre Ramon Alvarado e Rubens Freitas Rocha, que possuía uma câmera e alguns rolos de filmes. A produção do filme mobilizou em grande parte os(as) frequentadores(as) do cineclube e deu início ao primeiro ciclo de produção cinematográfica do Espírito Santo, marcado pela produção de diversos curta-metragens amadores, alguns deles exibidos nacionalmente. Do ambiente cineclubista, apaixonadamente obcecado pelo cinema "de arte", emergiu o desejo pelo engajamento prático com as questões de estética e linguagem que protagonizaram o debate.  

 

Além do Alvorada, também destacam-se nesse período os cineclubes da Aliança Francesa e do MAM - Museu de Arte Moderna do Espírito Santo.

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